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cdmi_mulherA HISTÓRIA DAS MULHERES E AS MULHERES E A HISTÓRIAcdmi_mulher

 

Algumas mulheres portuguesas destacam-se pelos seus feitos. Aqui podemos conhece-las e saber porque as consideramos como heroínas portuguesas! A elas, a nossa homenagem!  

PRINCESA ISABEL

CONSTANÇA E BRANCA

CONDESSA DE REDONDO

PASSAGEIRAS CLANDESTINAS

ANTÓNIA RODRIGUES

IRIA PEREIRA

ISABEL VEIGA E ANA FERNANDES

MARIA DA FONTE

 

 

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Isabel, a irmã do Infante D. Henrique

Na primeira fase (1415-1460), quem organizou os descobrimentos portugueses foi o Infante D. Henrique. Nesta época efectuaram-se muitas viagens, descobriu-se uma longa faixa da costa ocidental de África e os arquipélagos da Madeira, Açores e Cabo Verde.

As ilhas eram desertas e foram tomadas várias iniciativas para as povoar.

A princesa Isabel, apesar de já estar casada e de viver num país estrangeiro, assumiu um papel activo no povoamento dos Açores.

A vida da princesa Isabel

A princesa Isabel nasceu a 11 de Fevereiro de 1397, em Évora.

Filha do rei D. João I e da rainha D. Filipa de Lencastre, recebeu uma educação invulgar para a época. Aprendeu a ler, a escrever, falava várias línguas e distraia-se a traduzir romances de cavalaria. Passava largas temporadas no palácio de Sintra e, talvez por ser a única menina da família, ninguém teve pressa em lhe arranjar noivo. Mas acontece que um dos irmãos, D. Pedro, que gostava muito de viajar, visitou Filipe «O Bom», duque da Borgonha e conde da Flandres, entendeu-se muito bem com ele e terá gabado as qualidades de Isabel.

Alguns anos depois, Filipe «O Bom» ficou viúvo e decidiu enviar mensageiros a Portugal com a missão de recolher informações sobre a princesa. Queria saber se era de facto uma pessoa interessante, culta, de feitio agradável.

E como também queria saber se era bonita, enviou um pintor chamado Van Eyck para lhe fazer um retrato, recomendando que fosse fiel ao modelo.

Tanto o retrato como as informações satisfizeram plenamente o duque que, no ano seguinte, enviou uma grande embaixada para pedir a mão da princesa.

 O casamento incluíu duas cerimónias: a primeira, no Palácio de Sintra e sem o noivo estar presente; a segunda, na cidade de Bruges a 7 de Janeiro de 1430. Isabel passou a viver na Borgonha com o marido e teve um filho, Carlos «O Temerário». Respeitada e admirada pela corte, desempenhou funções diplomáticas e ficou conhecida por «A Grande Dama».

Nem o casamento, nem a maternidade, nem a riqueza, nem o prestígio de que gozava na sua nova pátria a fizeram esquecer o país de origem, os irmãos e a aventura fantástica em que se tinham envolvido. Mesmo de longe quis apoiar os Descobrimentos.

Quando soube que se preparava a colonização dos Açores, insistiu com os irmãos para que aceitasssem colonos flamengos (da Flandres). A proposta agradou e Isabel ocupou-se a seleccionar as pessoas adequadas, oferecendo-lhes boas condições para iniciarem vida numa ilha deserta. Foi portanto graças à princesa Isabel que tantos flamengos se instalaram nos Açores e deram origem a numerosa descendência.

Ainda hoje há locais que lembram essa vaga de emigrantes, como por exemplo a «ribeira das Flamengas» na ilha Terceira e a cidade da Horta no Faial, fundada pelo capitão Huertere. Há famílias cujo apelido resulta da tradução de nomes flamengos, como por exemplo os Silveiras, descendentes de Van der Haegen (que significa arbusto com espinhos).

Constança e Branca as "Capitoas da Madeira"

Para colonizar as ilhas atlânticas utilizou-se o sistema de capitanias, ou seja, entregava-se uma extensão de terra a um capitão que ficava encarregue de a povoar, desenvolver e governar.

Ora os capitães precisavam de estabilidade e estabilidade significava família. Quando partiam com armas e bagagens levavam consigo as mulheres e os filhos.

Não há grandes relatos sobre o que pensavam, sentiam e fizeram «as capitoas». Mas pode imaginar-se a coragem de que necessitaram para embarcar, numa época em que as mulheres habitualmente não viajavam; as saudades que tiveram de sufocar quando se despediam dos seus entes queridos, que provavelmente não tornariam a ver; a força de vontade indispensável a quem teve de criar condições de vida a partir do zero.

Quem já possuía uma casa equipada com tudo, o que sentiria diante do terreno que ainda era preciso desbravar para se espetarem as primeiras estacas da futura habitação? E, ainda que cheias de paciência e espírito de aventura, como terão reagido no momento em que lhes fez falta um objecto fácil de encontrar em qualquer loja ou mercado, numa terra onde não existiam lojas nem mercados? E a que proezas de imaginação terão recorrido quando os filhos pequenos chamaram pelos avós e pelos primos, pediram coisas que não havia por lá, ou adoeceram?

Constança Rodrigues de Almeida, mulher do capitão João Gonçalves Zarco, e Branca Teixeira, mulher do capitão Tristão Vaz, podem ser lembradas como exemplo das muitas mulheres que, na época dos descobrimentos, largaram tudo e acompanharam o marido para as terras desconhecidas onde eles decidiram viver.

A Condessa de Redondo

Na época dos descobrimentos os portugueses conquistaram várias cidades no norte de África. Para manterem essas cidades reforçavam as muralhas existentes ou construíam novas e mantinham uma guarnição militar permanente. As condições de vida nessas cidades eram bastante duras e, portanto, embora não fosse proibido, a maior parte dos oficiais e dos soldados preferia deixar a mulher no reino. Houve, no entanto, excepções. Algumas esposas acompanharam os maridos e aguentaram firme o calor, a solidão, a falta de mantimentos ou os ataques dos mouros.

A condessa do Redondo, mulher do governador de Arzila, ficou famosa pelas relações de cortesia que foi capaz de estabelecer com o chefe mouro Mulei Abraém, grande inimigo dos portugueses.

Mulei Abraém atacava Arzila com frequência, apanhando o gado e as colheitas dos campos em redor. Mas, antes de se retirar, mandava um dos seus homens bater à porta do castelo para «cumprimentar o senhor conde e beijar a mão à senhora condessa».

Em vez de chorar ou de se enraivecer, a condessa entrava no jogo e mandava-lhe burros carregados de bolos, com recados simpáticos dizendo que «se nos tivesse avisado do ataque com alguns dias de antecedência, eu teria preparado melhores iguarias.

Passageiras Clandestinas

Sempre houve e sempre haverá mulheres corajosas e com espírito de aventura. Quando as naus partiam para a Índia e a população acorria a despedir-se, muitas mulheres terão chorado por não poderem ir também enfrentar desafios, conhecer novos mundos, dar rumo ao seu destino sem ter que prestar contas a ninguém.

Mas nem a sociedade estava preparada para esses voos femininos, nem a lei o permitia. Durante a primeira fase da Carreira da Índia era absolutamente proibido levar mulheres a bordo. Sabe-se, no entanto, que algumas, mais ousadas, cortavam o cabelo, vestiam-se de homem e embarcavam mesmo, enganando as autoridades.

Integradas na tripulação, tiveram de desempenhar tarefas duras, engrossar a voz ou falar pouco, fingir que se barbeavam ou então acompanhar sobretudo os grumetes, rapazes muito novos e ainda imberbes.

Se por acaso eram desmascaradas, a sorte destas mulheres dependia do capitão. Podiam ser castigadas, ficar prisioneiras num compartimento fechado ou toleradas com benevolência. Se ainda navegavam perto das ilhas da Madeira e Açores, geralmente deixavam-nas lá.

Vasco da Gama, por exemplo, mostrou-se sempre muito rigoroso quanto à presença de mulheres a bordo e chegou a decretar que as passageiras clandestinas, encontradas nas naus da Carreira da Índia, recebessem açoites em público logo que chegassem a Goa. Este castigo chegou a ser aplicado pelo menos a três mulheres aventureiras.

O espectáculo impressionou negativamente Vasco da Gama, que se arrependeu e quis compensar as raparigas da humilhação sofrida. Deixou-lhes uma boa quantia em testamento que lhes serviu de dote e permitiu que arranjassem marido. Ficaram todas a viver na Índia.

Antónia Rodrigues

Antónia Rodrigues nasceu em Aveiro numa família muito pobre. A mãe, querendo ver-se livre de mais uma boca para sustentar, entregou-a a uma tia que morava em Lisboa. A pobre Antónia sofreu imenso porque a tia tratava-a com desprezo e crueldade. Farta de maus tratos, resolveu fugir. Mas para onde?

O melhor era tentar sorte o mais longe possível! Planeou então embarcar para longe. Cortou o cabelo, comprou roupas de homem e foi oferecer-se ao mestre de uma caravela que ia zarpar para o norte de África, carregada de trigo destinado a abastecer os portugueses que viviam no castelo de Mazagão. O mestre aceitou «aquele rapaz» que dizia chamar-se António Rodrigues e distribuiu-lhe tarefas de grumete.

Durante a viagem trabalhou com tanto afinco que só recebeu elogios de toda a gente. Esfregava o convés, içava as velas e é de supor que quando subia aos mastros aproveitava o ruído do vento e das ondas para soltar gargalhadas ou mesmo gritos de alegria!

Ao chegar a Mazagão viu-se envolvida numa rede de intrigas e não pôde voltar para bordo. Mas como não era pessoa que se atrapalhasse, assentou praça como soldado e depressa se distinguiu pela sua destreza e valentia. Essas qualidades, porém, não despertaram inveja. Antónia, ou António, sabia criar bom ambiente entre os companheiros de armas. O pior era à noite. a única hipótese de continuar a desempenhar o seu papel sem ser descoberta era dormir vestida!

Deitava-se sempre de camisa e ceroulas.

Os bons serviços prestados valeram-lhe ser promovida a cavaleiro e nessa qualidade tinha de sair do castelo para combater em campo aberto.

E saía, de arma em punho, notabilizando-se pelas proezas cometidas. Assim ganhou fama e como associava à bravura uma simpatia natural e um trato muito amigável, começou a despertar paixões entre as poucas raparigas que viviam em Mazagão. Nessa altura é que tudo se complicou. Uma família que tinha uma filha solteira começou a convidar aquele jovem e amável cavaleiro para jantar e passar o serão, cobrindo-o de presentes, na esperança de que ele quisesse casar com a filha.

Receando ser descoberta, Antónia preferiu confessar a verdade e toda a gente pasmou!

Um casal bondoso recolheu-a então, as candidatas a namoradas tornaram-se suas amigas e algum tempo depois até arranjou noivo. Antónia regressou a Lisboa casada, feliz e cheia de histórias para contar.

O rei achou piada e recompensou-a pelos serviços prestados na guerra como «António».

Iria Pereira

Iria Pereira namorava António Real e quando soube que ele ia partir para o Oriente decidiu ignorar as leis da época e acompanhá-lo. Escolheu cuidadosamente o disfarce e muito bem vestida à marujo enfiou-se na nau onde viajava, nada mais nada menos, do que o severo D. Francisco de Almeida, primeiro vice-rei da Índia.

Corria o ano 1505, a nau fazia parte de uma grande armada composta por 20 embarcações e a viagem foi tormentosa! Depois das ondas infernais ao longo da costa ocidental da África, sofreram os efeitos de uma violenta tempestade de neve quando navegavam a sul do Cabo da Boa Esperança.

A maior parte da tripulação adoeceu e entre os mais afectados estava António Real. Valeram-lhe com certeza os carinhos da mulher que nessa altura certamente já fora desmascarada e perdoada pelo vice-rei. Ninguém se lembrou de deixar escrito o que aconteceu exactamente, mas sabe-se que o par desembarcou na Índia, são e salvo. António Real veio a desempenhar o cargo de alcaide da fortaleza de Cochim (na costa oriental da Índia). O casal teve um filho a que deu o nome de Diogo. E o mais curioso é que, quando António Real voltou para o reino, Iria preferiu continuar na Índia onde enriqueceu e educou o filho que veio a tornar-se um piloto famoso.

Catarina a Piró Catarina - por alcunha a Piró - era uma linda rapariga de Miragaia e inspirou uma paixão violenta a Garcia de Sá, jovem fidalgo de uma ilustre família do Porto. Quando o pai do rapaz soube, ficou furibundo. Jamais daria autorização para semelhante enlace!

Não querendo desobedecer ao pai e não estando disposto a renunciar à sua amada, que fez Garcia? Partiu para a Índia e levou Catarina consigo.

Por lá viveram mais de vinte anos e tiveram duas lindas filhas - Leonor e Joana.

Isabel de Veiga e Ana Fernandes

Em 1538, quando os portugueses possuiam muitas cidades, castelos e feitorias na Índia, o sultão de Guzerate desencadeou um violentíssimo ataque contra a cidade de Diu.

Ora, dentro das muralhas só havia seiscentos homens de armas. O capitão António da Silveira viu-se, portanto, aflito para organizar a defesa contra os dezasseis mil soldados guzerates que traziam sete mil aliados turcos e cem navios bem equipados de canhões.

Para evitar o desastre completo, trancaram-se as portas, os soldados portugueses espalharam-se estrategicamente e lutaram dia e noite durante três longos meses.

Durante esse período terrível em que estiveram cercados, distinguiram-se várias mulheres. Uma delas, Isabel da Veiga, casada com um fidalgo da Madeira, pegou em armas e deu tantas provas de bravura que ficou conhecida por «A Defensora».

Uma outra, Ana Fernandes, apesar da idade avançada, envolveu--se nos combates e percorria as muralhas para ralhar com os soldados quando fraquejavam. Ambas foram, sem dúvida, ajudas preciosas naquela luta desigual que os portugueses acabaram por vencer!

Maria da Fonte

Quem foi Maria da Fonte ?

Joana Maria Esteves, Joaquina Carneira, Josefa Caetana, Maria Angelina, Maria Custódia Milagreta, Maria da Fonte do Vido, Maria da Mota, Maria Luiza Balaio, Maria Vidas, todas podem ter sido a Maria da Fonte que deu nome à revolta de 1846, um motim popular dirigido por mulheres, por muitas e não apenas por uma.
Costa Cabral e os enterros fora das Igrejas A morte de Custódia Teresa, habitante do lugar de Simães, freguesia de Fonte Arcada, foi a gota de água. O povo já andava descontente com as leis de Costa Cabral, ministro de Maria II, mas, em 1844, quando saiu a nova regulamentação dos serviços de saúde... Agora, não só é obrigatório descrever as propriedades nas «papeletas das ladroeiras» para se apurar o imposto, como se tem de romper com a tradição de enterrar os cadáveres nas igrejas, esperar que o delegado de saúde certifique o óbito e, ainda, pagar as despesas do funeral.  A lei das taxas e da construção de cemitérios datava de 1835, mas nunca fora cumprida dada a pobreza em que se vivia nesta época de crise económica agravada pela praga da batata e a seca.

Desde logo surgiram as dúvidas quanto ao rosto a dar à Maria que sublevou o mulherio minhoto, iniciando uma guerra civil que só terminaria no ano seguinte. Sobre os acontecimentos foram escritas diversas versões por observadores e intervenientes, cada uma com a sua Maria. 

O escritor Camilo Castelo Branco, à data com 21 anos, também contribuiu para a confusão: romanceou (40 anos depois) a partir dos factos verídicos e houve quem acreditasse que a Maria da Fonte Vido era a verdadeira. 

Perante a multiplicidade de críticas (e embora existam alguns seguidores, poucos, das teorias expressas na obra de Camilo), feitas por aqueles que se dedicaram ao estudo de problemáticas Camilianas, conclui-se, como o fez Hélia Correia no prefácio de uma das edições da «Maria da Fonte»: «A Maria da Fonte é uma maldade. É uma esplêndida maldade Camiliana», Paulo Alexandre Ribeiro Freitas, «Maria da Fonte».

A morte de Custódia

A morte de Custódia, cujo nome fica na História por ter sido o pretexto para a revolta, era a segunda ocorrida nos primeiros meses de 1846 nesta freguesia do concelho de Póvoa de Lanhoso. Na primeira, já se tinham registado tumultos, mas nada como o que haveria de suceder.  As mulheres de Simães saíram para a rua no dia 22 de Março, mal souberam que vinha aí o comissário de saúde para atestar o óbito, e o resto já se adivinhava: o médico passaria a certidão, o pároco concederia o Bilhete de Enterramento, os familiares teriam de pagar a taxa «de covato» e o cadáver seria enterrado fora da igreja, contrariamente às tradições do povo que acreditava que, noutro chão qualquer senão o do templo, os mortos estariam desprotegidos

O médico não se atreveu a aparecer e, na manhã seguinte, muitas mulheres armadas de paus e dos mais variados instrumentos agrícolas dispuseram-se a impedir o enterro. Quatro agarraram no caixão e todas as acompanharam em correria, ao longo de um quilómetro, até ao mosteiro onde sepultaram a vizinha sem esperar pelo serviço religioso.  À frente, de vermelho, empunhando a cruz e com uma pistola à cintura, ia Maria Angelina, irmã do sapateiro de Simães e a única que escolhera uma arma de fogo. Esta Maria da Fonte deveria ter cerca de 20 anos, estatura média, uma aparência robusta e, como as outras, terá gritado vivas à rainha e morras aos Cabrais e às leis novas.  Ela própria se apresentaria como sendo a heroína quando o padre Casimiro (um setembrista que liderou a continuação da revolta) visitou a vila da Póvoa e tão convencido ficou que lhe deu 4$800 reis.

A prisão das «Marias da Fonte»

Perante os factos, as autoridades resolveram prender as cabecilhas da revolta, no mesmo 24 de Março em que tentariam exumar o cadáver de Custódia para repor a lei. Foram presas quatro «Marias da Fonte» : Joaquina Carneira, Maria Custódia Milagreta, Maria da Mota e Maria Vidas.  Os sinos tocaram a rebate, a defuntos e a repique, reunindo o mulherio das freguesias. Centenas de mulheres com foices, chuços e varapaus afugentaram os representantes da Justiça e correram à pedrada os coveiros. Entusiasmadas com o poder repentino, reuniram-se e decidiram libertar as companheiras quando estas fossem ouvidas pelo juiz. Assim, a 27, milhares se voltaram a juntar ao toque dos sinos e marcharam do Cruzeiro até à vila para arrombar com machados as portas da cadeia.

A Maria da Fonte autora da primeira machadada ficou conhecida por Joana Maria, mas esta jovem, entre os 18 e os 20 anos de idade, usou nomes diversos. Joana Ana, filha do bacharel João Batista Vieira e de Ana Rosa, terá ido buscar à sua madrinha o nome Maria; ao casar-se apresentou-se com o apelido Esteves, quando registou o nascimento da sua filha escreveu Mariana Rosa e no óbito do seu filho Joana Maria das Neves.  Muitos anos mais tarde, em 1883, o jornal «O Comércio de Portugal» noticiava: «Na noite de 7 para 8 de Dezembro de 1874, faleceu na freguesia de Verim, Ana Maria Esteves, natural de Santiago de Oliveira,casada com António Joaquim Lopes da Silva daquela freguesia de Verim e que fora a famigerada Maria da Fonte.»

O assalto à cadeia

Após o assalto à cadeia, as revoltosas ficaram eufóricas. No largo da Fonte, Maria Luiza Balaio convida-as a beber um copo na sua taberna e hospedaria, como era habitual. E assim surge outra hipótese de rosto numa mulher que não chega a tomar parte activa, mas que conspira com a sua clientela e já seria conhecida por esse nome.  Atestadinhas até aos gorgomilos, precisavam de dar a taramela, desabafar, e assim foi. Possuídas do belicoso espírito de Marte no coração e reforçadas (é de presumir) pelo turbulento espírito de Baco no miolo, romperam num entusiasmo delirante, com vivas à Maria da Fonte.  E para berrar não há como as goelas das camponesas minhotas, Paixão Bastos, «Maria Luiza Balaio ou Maria da Fonte» . Quando os cabralistas retomam o poder, Luiza terá fugido para fora do país. No «Diário de Notícias» de 15 de Dezembro de 1874, pode ler-se: «Está no Porto e vem por estes dias a Lisboa a célebre Maria da Fonte. Acompanha-a o seu marido que há dias veio do Brasil onde enriqueceu.»

Dias depois, numa freguesia vizinha, na de Galegos, outras se revoltaram e sepultaram, «no chão devido», Francisco Lage. As autoridades emitiram mandados de captura, mas apenas prenderam Josefa Caetana que julgou conseguir livrar-se dizendo ser dona do nome que todos temiam, mas os agentes conheciam-na bem e o juiz mandou-a para a prisão de Braga.  No caminho, na Serra do Carvalho, os seis polícias da escolta são assaltados por centenas de mulheres e esta Maria da Fonte é libertada. E se esta usou o título como defesa, houve quem dele abusasse como é o caso de uma Maria de Calvos que para melhor vender os doces que fazia afirmava ser a heroína de Fonte Arcada.

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